Rede Unida, 11º Congresso Internacional da Rede Unida


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A PROMOÇÃO DA SAÚDE NA RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL EM SAÚDE DA FAMÍLIA
Gaussianne de Oliveira Campelo, Leonardo Sales Lima, Cibelly Aliny Siqueira Lima Freitas

Resumo


Introdução: A partir da Carta de Ottawa, de 1986, a saúde foi considerada como produto social e como fonte de riqueza de um viver cotidiano. Esse documento destacou que para atingir um estado de completo bem-estar físico, mental e social, os indivíduos e grupos devem saber identificar aspirações, satisfazer necessidades e modificar favoravelmente o meio ambiente e reforçou a importância da ação comunitária no controle do próprio destino (OMS, 1986). Esse foi o marco referencial para o conceito ampliado de saúde, o que acendeu os debates e iluminou os caminhos para a promoção da saúde, assim surgiu uma nova visão baseada na determinação social do processo saúde-doença. No entanto, os profissionais de saúde ainda são formados segundo o paradigma biomédico (curativista e hospitalocêntrico), o que dificulta as aspirações práticas da promoção da saúde, em seus intentos de democratização, pluralização, diversificação e singularização de meios e fins (SOUZA; GRUNDY, 2004). Nesse sentido, as Residências Multiprofissionais em Saúde da Família e Comunidade (RMSFC) visam preparar os profissionais de saúde para atuarem na Estratégia Saúde da Família de acordo com seus preceitos, com ênfase principalmente na promoção da saúde. OBJETIVO: Diante do exposto, essa pesquisa teve por objetivo analisar a concepção de promoção da saúde dos residentes de um programa de RMSFC. Metodologia: Foi realizada uma pesquisa exploratório-descritiva de abordagem qualitativa com os 14 residentes da primeira turma da RMSFC, em Teresina-PI, no período de maio a junho de 2010. A coleta dos dados se deu por entrevistas semiestruturadas e a análise se pautou pela hermenêutica dialética, segundo Minayo (2002). Resultados: Pôde-se verificar a amplitude implícita no conceito de promoção da saúde e as comparações entre promoção da saúde e prevenção de doenças foram frequentes, tendo a segunda um sentido mais restrito em relação à primeira. Os residentes não fugiram dos lugares-comuns e, comumente, associaram promoção da saúde à qualidade de vida; além disso, percebeu-se no discurso dos residentes a negação da negação (LEFEVRE; LEFEVRE, 2004). Conclusão: Apesar dos residentes terem claro uma concepção sobre promoção da saúde e se empenharem por colocá-la em prática, ainda apareceram confusões a respeito da diferenciação com a prevenção de doenças. Por isso, mais esforços devem ser empreendidos no sentido de sanar as lacunas teóricas conceituais sobre a promoção da saúde.

Palavras-chave


Promoção da Saúde. Saúde da Família. Residência Multiprofissional.

Referências


LEFÈVRE, F.; LEFÈVRE, A. M. C. Promoção de saúde: a negação da negação.Rio de Janeiro: Vieira & Lent, 2004.

MINAYO, M.C.S.  Hermenêutica-dialética como caminho do pensamento social. In: MINAYO, M.C.S.; DESLANDES, S.F. (orgs). Caminhos do pensamento: epistemologia e método. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2002. p.83-107.

OMS – Organização Mundial de Saúde. Carta de Ottawa. Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde. Ottawa, Canadá. 1986. Disponível em: <http://www.opas.org.br/promocao/uploadArq /Ottawa.pdf>. Acesso em: jul 2010.

SOUZA, E. M.; GRUNDY, E. Promoção da saúde, epidemiologia social e capital social: inter-relações e perspectivas para a saúde pública. Cad. Saúde Pública. Rio de Janeiro, 2004. Vol. 20, n. 5, p. 1354-1360.