Rede Unida, 11º Congresso Internacional da Rede Unida


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ASPECTOS ASSISTENCIAIS DAS PESSOAS COM ÚLCERAS VENOSAS NA ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA EM UMA CAPITAL DO NORDESTE BRASILEIRO
Sandra Maria da Solidade Gomes Simões de Olive Torres, Vera Grácia Neumann Monteiro, Cristina Katya Torres Teixeira Mendes, Isabelle Katherinne Fernandes Costa, Gilson de Vasconcelos Torres, Eulália Maria Chaves Maia

Resumo


Introdução: as úlceras venosas (UV) são formadas por um conjunto de fatores, o seu tratamento é complexo e oneroso para o sistema de saúde¹. As pessoas com úlcera venosa, quando não assistidas adequadamente, podem permanecer longo período com a lesão. E a qualidade da assistência depende de uma atuação competente da equipe de saúde, sendo a Estratégia de Saúde da Família (ESF) a porta de entrada no Sistema Único de Saúde. Objetivo: caracterizar os aspectos assistenciais das pessoas com úlceras venosas atendidas pela ESF em Maceió/Alagoas. Método: pesquisa avaliativa, transversal, quantitativa, realizada com 59 pessoas com UV atendidas nas 36 ESF de Maceió. Para coleta de dados utilizou-se formulário estruturado e a análise foi realizada por estatística descritiva e inferencial em um software estatístico. A pesquisa obteve parecer favorável da Comissão de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas (nº 005858/2007-96) Resultados: tem-se que 57,6% das pessoas com UV tiveram assistência ruim (< 5 aspectos positivos), média de 3,0 aspectos (±1,0) e 42,4% tiveram assistência regular (5 a 7 aspectos positivos), média de 5,6 (±0,7), sendo a diferença significante (p-valor<0,001 - Mann-Whitney). Das 10 variáveis dos aspectos assistenciais, oito demonstraram maior contribuição para a assistência ruim devido à sua inadequação: exames gerais/específicos, produtos nos últimos 30 dias, tratamento compressivo, orientação sobre meias compressivas, acesso a consulta com angiologista, local de realização do curativo nos últimos 30 dias, profissional que acompanha/realiza curativo e disponibilidade dos produtos. A qualidade ruim da assistência foi evidenciada mais frequentemente nos pacientes com tempo de tratamento superior a um ano; sendo a diferença estatística significante em relação ao maior tempo de tratamento nas seguintes variáveis inadequadas: profissional que acompanha/realiza curativo (p-valor =0,002), produtos nos últimos 30 dias (p-valor =0,038), orientação para uso de meios compressivas (p-valor =0,002), acesso a consulta com o angiologista (p-valor =0,041), local de realização de curativos nos últimos 30 dias (p-valor=0,048), e tratamento compressivo (p-valor =0,047). Conclusão: as pessoas com UV apresentaram assistência considerada ruim contribuindo para cronicidade das lesões, denotando a necessidade de repensar a assistência desenvolvida, visando uma melhoria da qualidade de vida e evolução destas lesões.

Palavras-chave


Avaliação; Qualidade; Assistência; Úlcera Varicosa

Referências


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