Rede Unida, 11º Congresso Internacional da Rede Unida


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IMPLEMENTAÇÃO DE PROCESSO DE COLETA, REGISTRO E ANÁLISE DE DADOS PARA PRODUÇÃO DE INFROMAÇÃO ASSISTENCIAL EM HOSPITAL SECUNDÁRIO DO SUS
Laura Bahlis, Luciano Diogo, André Wajner, Fernando Waldemar

Resumo


Caracterização do problema: Vem crescendo a utilização de indicadores assistenciais no monitoramento do desempenho dos sistemas de saúde. Está bem estabelecida a necessidade de controle de indicadores, não só para controle de qualidade interna, mas também para permitir comparações entre diversas instituições. Para que isso seja possível, é necessário que nada do que ocorreu durante a internação e que possa ser significativo para o cuidado do paciente, para a produção de conhecimento e para gestão do serviço deixe de ser registrado e posteriormente coletado. Entretanto, na prática, as instituições encontram dificuldade para registrar, obter e analisar de forma confiável esses dados. Descrição da experiência: a partir da implementação do Serviço de Medicina Hospitalar no Hospital Montenegro em novembro de 2012, se deu início a coleta de dados com objetivo de fornecer informações para auxilio de gestão, implementação de cuidados e produção de conhecimento científico. Inicialmente se optou por revisar os prontuários de forma retrospectiva. Entretanto, esse método não se mostrou eficaz, pois além de despender muito tempo, ocorreram muitas perdas (cerca de 10%). Com objetivo principal de garantir que não houvesse mais perdas e que a informação fosse obtida de forma integral e confiável, se iniciou com processo de coleta prospectivo. Foi designado funcionário específico para centralizar os prontuários no momento da alta, preparando os mesmos para encaminhamento para o setor de faturamento e coletando neste momento informações para o banco de dados. A coleta se dá a partir de questionário padrão impresso com informações retiradas do prontuário, além de ficha com dados complementares preenchida pelo médico assistente no momento da alta. Posteriormente, ocorre a digitação em Excel, com revisão realizada por médico responsável pela coleta de dados e importação dos mesmos para programa SPSSS. Por fim, a análise é realizada por profissional da assistência com experiência em estatística e epidemiologia. Efeitos Alcançados e Recomendações: Deste o início do novo modelo de coleta de dados, eliminou-se as perdas, forneceu-se indicadores mensais para auxilio da gestão, definindo-se prioridades de ação e aferindo seus impactos. Além disso, a análise forneceu informações adicionais, como por exemplo, o risco aumentado de internação dos pacientes da zona rural da cidade em relação à zona urbana. Estes resultados também tem auxiliado a secretaria estadual do nosso estado no que diz respeito à implementação de modelos de gestão de hospitais secundários. Desta forma, acreditamos que modelos de coleta de dados são imprescindíveis para gestão hospitalar. Também acreditamos que estes dados devam ser divulgados em meios governamentais e científicos para aprimorar os serviços prestados pelo SUS.

Palavras-chave


gestão hospitalar; qualidade assistencial; indicadores assistenciais

Referências


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